Carta Branca a Rui Xavier no InShadow

27 Novembro 2019

No âmbito da celebração do seu 20º aniversário, a Agência apresenta a “Carta Branca aos Realizadores Portugueses” que, no espaço de um ano, irá percorrer os diversos festivais de cinema com sessões de celebração da cinematografia nacional do século XXI.

A Agência apresenta, no território português de norte a sul, um programa alargado de cinema intitulado “Carta Branca aos Realizadores Portugueses” que, no espaço de um ano - até Maio de 2020 - irá percorrer 20 festivais de cinema portugueses com sessões de celebração da cinematografia nacional do século XXI.

O décimo quarto ato da iniciativa Carta-Branca aos Realizadores Portugueses terá lugar em Lisboa, no âmbito da 11ª edição do InShadow – Lisbon ScreenDance Festival, a decorrer de 12 de novembro a 18 de dezembro. A nomeação de cada uma das personalidades é da responsabilidade do festival anfitrião e Rui Xavier foi convidado a fazer parte do júri oficial do festival e a programar uma sessão de cinema português crítico e inventivo num olhar para os seus pares.

Rui Xavier selecionou 6 curtas-metragens para a sua Carta Branca: “A Torre” de Salomé Lamas, “Manhã de Santo António” de João Pedro Rodrigues, “Carosello” de Jorge Quintela, “Estrangeiro” de Ivo Ferreira, “Insert” de Filipa César e Marco Martins e “Sem Movimento” de Sandro Aguilar. Os filmes serão apresentados no dia 30 de novembro, às 18h, no Teatro do Bairro.
Rui Xavier redigiu um pequeno texto inspirado na sua escolha que publicamos abaixo:

Um corpo na sua sombra
Um corpo vivo,
aqui,
em fluxo
de dança
e
Um corpo cristalizado,
acolá,
num fluxo aparente
de imagens em movimento.

O que me seduz na artes directas como a dança, a performance, o canto ou teatro é o seu visceral minimalismo. A arte directa faz uso da mais primordial das
ferramentas: o corpo. Este constrói a narrativa tecendo-se no tempo e no espaço, espelhando, presencialmente, um outro corpo - o eu espectador. Em contraponto, nas artes indirectas - como o cinema - o corpo chega-nos como um espectro luminoso. A sua projecção é contaminada (factual e metaforicamente) pelos artefactos e filtros da mediação. A escala do ecrã, a posição da câmara, e a montagem, trazem-nos a fascinante sensação de que pela manipulação do espaço e do tempo conseguiremos rasgar o tecido do real. Para o Festival InShadow escolhi filmes que reflectem algumas das complexas questões da nossa relação com o corpo e a sua representação mediada, organizando três grupos de questões, de sombras, que pairam sobre estes filmes:

O corpo como objecto:
O que é este corpo que habito?
Como se relaciona com o seu entorno natural, edificado ou espiritual?
O corpo em repouso e em movimento.

O corpo como energia:
Porque se movimenta o corpo?
Quando se inicia o movimento?
O movimento já existe no corpo em repouso?

O corpo fisico e intangível:
O corpo como matéria transitória e em permanece mutação.
Se a memória de um corpo desaparecer ele também desaparece?
Poderá essa memória construir um corpo?

 

As acções seguintes da iniciativa “Carta Branca aos Realizadores Portugueses” terão lugar no Monstra - Festival de Animação de Lisboa (José Miguel Ribeiro), IndieLisboa Festival Internacional de Cinema (Gabriel Abrantes), Encontros de Cinema de Viana de Castelo (Manuel Mozos), Fantasporto Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto (José Magro) e Leiria Film Festival (Edgar Pêra).

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