Carta Branca a João Pedro Rodrigues no Motelx

29 Agosto 2019

No âmbito da celebração do seu 20º aniversário, a Agência apresenta a “Carta Branca aos Realizadores Portugueses” que, no espaço de um ano, irá percorrer os diversos festivais de cinema com sessões de celebração da cinematografia nacional do século XXI.

O quinto acto da iniciativa “Carta Branca aos Realizadores Portugueses” terá lugar em Lisboa, no âmbito do Motelx, evento que decorrerá 10 a 15 de Setembro. O festival desafiou o realizador João Pedro Rodrigues para programar e apresentar uma sessão elaborada por si.

João Pedro Rodrigues propõe-nos para Carta Branca - que terá exibição no dia 11 de Setembro, às 19h20, na sala 3 do Cinema São Jorge - 5 curtas-metragens, com o seguinte alinhamento: "Plant in My Head" (2014) de Pedro Maia, "Solo" (2012) de Mariana Gaivão, "A Rapariga da Mão Morta" (2005) de Alberto Seixas Santos, "A Rapariga no Espelho" (2003) de Pedro Fortes e, por último, "A Felicidade" (2008) de Jorge Silva Melo. Os filmes serão apresentados nos seus formatos originais, sendo que os três últimos serão projectados em 35mm.

João Pedro Rodrigues escreve no seu texto de apresentação: "Tenho a felicidade de ser amigo de todos os realizadores dos filmes que escolhi para este programa de curtas distribuídas pela Agência, na celebração dos seus 20 anos. Infelizmente dois deles já desapareceram: o Alberto Seixas Santos, que foi meu professor no Conservatório de Cinema, morreu em 2016 e o Pedro Fortes morreu tragicamente há apenas dois meses. Mas os filmes, esses, não me (nos) abandonam.

Being alone never felt right.

Sometimes it felt good

But it never felt right.

Sobre o écran negro, antes do genérico final do primeiro filme deste programa - “Plant in My Head” -, surgem estes três versos (?), como se viessem da letra de uma canção pop escrita por Neil Hannon, dos Divine Comedy. Fora do contexto, apetece cantá-los com a melodia do seu recente “Queuejumper” e acrescentar um Yeah! final.

Mas o filme do Pedro, diz a sinopse, é sobre losing someone we love. O Pedro fala da perda do amor com a candura de uma canção pop e não consigo esquecer aquele espelho redondo entre as pernas da Rita Lino que tanto ofusca como ilumina o triste consumir desta história de amor.

Depois vêm as cinzas do filme da Mariana, tão negras que engolem o corpo de Isabel Abreu, bombeira solitária que antes víramos correr decidida, como se quisesse deixar para trás um pedaço da vida.

Seguem-se duas raparigas, a da mão morta e a no espelho, Rita Martins e Núria Madruga ou os conflitos tácteis dos abismos da natureza humana.

E terminamos com mais canções; pop de outros tempos: “Exsultate, jubilate” de Mozart, cantado pela Teresa Stich-Randall, e a Mina, a embalar a voz doce do Fernando Lopes e a correria do Miguel Borges. “A Felicidade”? Sim. Dois dias depois o meu pai morreu, diz em off o Pedro Gil sobre o negro do écran. Fim.

A iniciativa Carta Branca aos Realizadores foi pensada como uma mostra de cinema português de processo invertido convocando as pessoas que pensam cinema na sua origem – os criadores - para se colocarem no papel do programador e fazer uma revisitação ao cinema nacional numa sessão de curtas-metragens. A nomeação de cada uma das personalidades é da responsabilidade do festival anfitrião, e o cineasta é desafiado a apresentar um cinema português crítico e inventivo narrado pelo próprio num olhar para os seus pares, onde haverá espaço para refletir sobre as mudanças significativas que foram operadas no cinema português no novo século.

As acções seguintes desta iniciativa terão lugar no Queer Lisboa Festival Internacional de Cinema que convidou Cláudia Varejão, seguindo-se o Close-Up Observatório de Cinema de Famalicão (Pedro Serrazina), Doclisboa Festival Internacional de Cinema (Mariana Gaivão), Vista Curta- Festival de Curtas de Viseu (Regina Pessoa), Temps D’Images Lisboa (Paulo Furtado), Inshadow Lisbon ScreenDance Festival (Rui Xavier), Cinanima Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho (Vasco Sá e David Doutel), Caminhos do Cinema Português (João Salaviza), Porto/Post/Doc (Mónica Santos e Alice Guimarães), Monstra - Festival de Animação de Lisboa (José Miguel Ribeiro), Cortex Festival de Curtas-Metragens de Sintra (Patrick Mendes), IndieLisboa Festival Internacional de Cinema (Gabriel Abrantes), Encontros de Cinema de Viana de Castelo (Manuel Mozos), Fantasporto Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto (José Magro) e Leiria Film Festival (Edgar Pêra).

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